Eleições na Venezuela são uma fraude segundo os EUA

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Em mais uma eleição polêmica na Venezuela neste domingo (dia 20 de maio), o atual presidente Nicolás Maduro, foi reeleito por mais 6 anos. Os colégios eleitorais tiveram um horário mais estendido, a eleição teve diversas denúncias de fraude, mais de 54% da população se absteve das votações, a oposição tentou realizar um boicote e boa parte da comunidade internacional não reconheceu as eleições como legítimas.

Mesmo com todos os problemas que a Venezuela vem enfrentando nos últimos anos, havendo inclusive a falta de comida para a população, o Conselho Nacional Eleitoral, reconheceu Nicolás Maduro como presidente após conseguir 67,7% dos votos válidos em mais de 90% das urnas apuradas. Maduro conseguiu pouco mais de 5,8 milhões de votos, de um total de 8,6 milhões com a participação de 46% do eleitorado venezuelano.

Discurso de Maduro

O vencedor, Nicolás Maduro realizou um discurso de frente para o Palácio Miraflores em Caracas, onde citou que obteve um “Recorde Histórico, pois nenhum candidato a presidência havia vencido as eleições com praticamente 68% dos votos populares, a mais de 40% a frente do segundo colocado…”

Na segunda colocação ficou o candidato Henri Falcón, com pouco mais de 1,8 milhões de votos, cerca de 21% do eleitorado venezuelano. Antes mesmo da apresentação dos resultados, Henri citou que o processo eleitoral deste dia 20 de maio não seria reconhecido e uma nova eleição foi exigida por conta das suspeitas de fraude.

As eleições ainda contaram com a participação do pastor evangélico Javier Bertucci, que acabou ficando na terceira colocação com pouco mais de 900 mil votos e também o candidato Reinaldo Quijada, que conseguiu um pouco mais de 34 mil votos.

Durante o discurso, Maduro pediu para que os três outros candidatos criassem um diálogo com ele, com a finalidade de verificar todas as diferenças e que achar uma solução para conter a crise no país. Em sua frase para os simpatizantes Maduro disse:

“Henri Falcón, Javier Bertucci (…) todos os líderes da oposição, que nos reunamos, nos encontremos e falemos da Venezuela, convido-os aqui e assumo a responsabilidade deste chamado…”

Crise na Venezuela

Maduro assumiu o governo venezuelano em 2013 e desde então o país vem sofrendo com a falta de comida, remédios, uma hiperinflação descontrolada, dificuldade no transporte de água e vários apagões no setor elétrico. Além disso, vários protestos violentos já deixaram mais de 200 mortos.

O salário mínimo no país só é capaz de comprar um quilo de leite em pó. Esses e outros fatores fizeram com que uma grande parte da população migrasse, inclusive para o Brasil. Todos os adversários do presidente Maduro, afirmam que ele é o principal responsável por afundar o país, por conta de suas medidas econômicas ruins e também por ser sustentado por militares, trazendo praticamente uma ditadura para a Venezuela.

Maduro diante das acusações se diz um presidente democrático e que vem sofrendo um boicote dos Estados Unidos, enfrentando uma guerra econômica da direita, sendo a principal “culpa” da falta de comida e também da hiperinflação. Para mudar o cenário nacional, Maduro citou que irá mudar a forma econômica do país, que segundo ele foi infectada pelo neoliberalismo.

O que tem chamado a atenção nesta eleição é a taxa de rejeição do povo venezuelano contra o governo de Maduro. Os números chegam a 75%, mas a dependência de programas assistencialistas e a grande parcela dos eleitores leais a Hugo Chávez, fazem com que Maduro fique a frente nas eleições.

Oposição a Maduro

Com o discurso de que as eleições na Venezuela são uma fraude para perpetuar Nicolás Maduro no poder, a MUD, Mesa da Unidade Democrática, recusou-se a participar das eleições. Mesmo com a abstenção, Henri Falcón saiu candidato e foi alternativa muito forte a Maduro.

O grande número de abstenções também chamou a atenção nestas eleições. Cerca de 20 milhões de eleitores estavam registrados para participar da votação, mas o comparecimento chegou a pouco mais de 8 milhões, num total de 46%.

Esta porcentagem foi uma da mais baixas da história nas eleições presidenciais na Venezuela. Em 2013 quando Maduro chegou a presidência, a quantidade de eleitores que votaram, chegou a 80%.

Ao final da votação, quase 15 mil urnas estavam abertas após o final da votação às 18h, isso para que toda a militância que estava sendo transportada de ônibus para as urnas no final da tarde, pudesse exercer o seu “direito” de cidadania.

Cenário Internacional

Diversos países da América Latina, inclusive o Brasil, países da União Europeia, Canadá e Estados Unidos, citaram que as eleições na Venezuela não são transparentes e muito menos justas. Mike Pompeo, secretário de Estado dos Estados Unidos, disse que as eleições não passam de uma fraude e que nada será mudado no país nos próximos anos.

Os Estados Unidos desde abril afirmavam que não reconheceriam os resultados das eleições, mediante a forma em como ela estava sendo realizada. Inclusive foi pedido que elas fossem suspensas por Mike Pense (vice).

O Brasil também não reconhece as eleições como legítimas. No último dia 19 (sábado), as fronteiras com o Brasil foram fechadas, para que a grande massa da Venezuela não passasse para o território nacional. O exército está atualmente controlando a fronteira no estado de Roraima.

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