Síria: Cidade de Duma recebe agentes de controles de armas químicas

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Hoje (17), agentes da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) vistoriaram uma cidade da Síria chamada Duma. O objetivo era determinar se, no dia 7 de abril, essa região realmente recebeu um ataque químico, da maneira como os Estados Unidos e os seus aliados afirmam.

Esse suposto bombardeio químico teve consequências bastante sérias: foi por causa dele que, na última sexta-feira, os Estados Unidos fizeram um ataque à região de Damasco, juntamente à França e ao Reino Unido. Esses países declararam que estavam fazendo esse contra-ataque por causa do uso de armas químicas, sendo isso que a OPAQ deseja confirmar.

Ainda de acordo com os norte-americanos e seus aliados, esse ataque teria sido a causa de 40 mortes na área de Duma, além de ser comandado por Bashar Al-Assad. O governante contesta, dizendo que não ocorreu nenhum uso de armas químicas e que essa situação seria uma mentira dos rebeldes. Por outro lado, os Estados Unidos acusam uma aliada de Bashar, a Rússia, de retirar evidências da área de Duma: afinal, houve muita resistência para que a OPAQ pudesse entrar nesse perímetro.

O ataque que os Estados Unidos, a França e a Inglaterra realizaram por causa do uso de armas químicas envolveram 105 misseis. De acordo com o governo norte-americano, é uma certeza de que Bashar Al-Assad realmente utilizou armas químicas, mas também admite que não sabe precisar que substância foi e que existem funcionários tentando concluir qual foi a mistura.

Para o mundo, que ainda não sabe de qual dos lados tomar partido, faltam as provas. Porém, os aliados também confirmam que é provável que elas não sejam nunca encontradas: para o Ministério das Relações francês, todos os elementos que poderiam atestar o ataque químico já se perderam.

O representante dos Estados Unidos na OPAQ levanta ainda uma reclamação importante: se a Rússia retirou mesmo evidências de que ocorreu um ataque químico, esse órgão poderia não ter toda a autonomia necessária para que as investigações sejam feitas.

Qual é a relação da OPAQ com tudo isso?

As armas químicas são um perigo que todas as nações do mundo reconhecem: apesar de elas serem muito úteis em uma eventual guerra ou para defesa de território, elas são capazes de matar milhares de pessoas. Por isso, existe um acordo entre diversos países a fim de que aqueles que possuem armas químicas não as usem e é a Organização para a Proibição de Armas Químicas quem gerencia isso.

Ao todo, são 191 nações participantes e isso está de acordo com o que os especialistas em Relações Internacionais explicam: a ideia é que os países tenham as armas químicas somente como uma forma de intimidação, mas elas não devem ser usadas de fato.

A concordância de que essas armas são um risco à humanidade é de 98% das pessoas e isso foi estabelecido na Convenção de Armas Químicas (CAQ). Para que os países estivessem mesmo dentro desse compromisso, era preciso que eles assinassem e que, depois, fizessem sua confirmação no Parlamento. A maior parte dos países fez isso, mas há alguns, como Israel, Egito, Coreia do Norte, Sudão do Sul e Angola, que não participam.

Teoricamente, a Síria está incluída na OPAQ desde o ano de 2013. No entanto, quatro anos depois, a OPAQ e a ONU determinaram que houve um ataque com gás na área de Damasco, ou seja, a Síria não respeitou a Convenção.

O que ocorrerá agora?

Os Estados Unidos e os países aliados declaram que foi apenas um bombardeio de aviso: por hora, não ocorrerão outros.

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